Em entrevista à TV Bahia em 27 de outubro de 2026, o secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não determinou o uso de 100% da frota de ônibus em nenhuma cidade.
A declaração ocorreu após a falta de ônibus em Salvador no segundo turno das eleições, realizado em 25 de outubro. Antes da votação, a Secretaria de Mobilidade havia divulgado uma operação sem redução de veículos.
Moradores e eleitores da capital baiana foram afetados pela retenção de ônibus em garagens. A prefeitura confirmou que pelo menos 75 coletivos foram impedidos de sair no início do dia.
O caso envolve a declaração do secretário, o anúncio municipal sobre a operação e a resolução eleitoral sobre transporte coletivo. A Justiça também determinou uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre a possível redução da frota.
Declaração do secretário contrasta com regra do TSE e anúncio municipal
Pablo Souza afirmou que Salvador seguiu nos dois turnos a mesma estratégia de transporte adotada pela prefeitura havia mais de 10 anos. Segundo o secretário, a gestão nunca colocou 100% dos ônibus nas ruas em dias de eleição, e a programação do segundo turno repetiu a do primeiro.
A Resolução nº 23.751 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), publicada em fevereiro de 2026, prevê transporte coletivo urbano municipal e intermunicipal gratuito nos dias de votação, inclusive o metropolitano, com frequência compatível com a dos dias úteis. O texto não determina expressamente o uso de 100% da frota, mas estabelece a referência de frequência dos dias úteis.
Já a Secretaria de Mobilidade de Salvador havia informado que a operação eleitoral teria “100% da frota utilizada em dias úteis”, sem a redução habitual de veículos aos domingos. A diferença entre esse anúncio e a explicação de Souza foi um dos pontos da controvérsia sobre a oferta de coletivos na cidade.
Frota de ônibus e retenções nas garagens durante a votação
Salvador tem uma frota de 1,7 mil ônibus, segundo Pablo Souza. O secretário disse que 850 veículos circularam tanto no primeiro quanto no segundo turno, o equivalente a 50% do total; o Sindicato dos Rodoviários de Salvador informou que a oferta nos fins de semana pode cair até esse percentual por causa das folgas dos funcionários.
O sindicato também afirmou que a operação montada para 25 de outubro correspondia à de um domingo comum. No início da manhã, pelo menos 75 coletivos ficaram impedidos de deixar as garagens durante a retirada de adesivos eleitorais, entre eles materiais com o número 13, associado à campanha de Lula (PT) e proibido nos ônibus.
De acordo com Souza, as empresas mobilizaram equipes de limpeza para remover os adesivos, em vez de deixar a tarefa a cargo dos motoristas. O secretário disse que a Secretaria de Mobilidade interveio quando identificou prejuízo à operação e determinou que a retirada do material não impedisse a saída dos veículos; ele não informou quanto tempo durou a liberação, embora tenha afirmado que o serviço estava normalizado à tarde.
Os levantamentos divulgados durante a votação apresentaram recortes distintos: uma fiscalização da Polícia Federal (PF) em uma garagem apontou 42,1% menos ônibus na rua, ou 53 veículos a menos em comparação com um dia comum. O Procon, por sua vez, identificou 944 coletivos parados nas garagens das empresas OT Trans e Integra Plataforma; a prefeitura e o secretário não divulgaram o total de ônibus afetados, enquanto moradores organizaram caronas solidárias para eleitores.
Viagem de Pablo Souza e medidas determinadas pela Justiça
Souza estava em missão institucional em Paris, na França, em 25 de outubro. Em entrevista, afirmou que acompanhou a operação à distância e manteve contato com empresários de ônibus, dirigentes e coordenadores da Secretaria de Mobilidade e representantes do sindicato.
Em meio à falta de ônibus em Salvador, o TSE pediu a prisão em flagrante do secretário. Como ele estava fora do Brasil, não foi preso; em 26 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) revogou a ordem por entender que a prisão havia perdido sua finalidade imediata com o encerramento da votação.
A revogação não equivale a absolvição nem representa reconhecimento de que não houve crime. A Justiça determinou que a PF investigue uma possível redução da frota e fixou prazo de 48 horas para a prefeitura enviar documentos relacionados ao caso; Souza declarou que a administração cumpriria a determinação dentro do prazo.

