Ao menos 75 ônibus foram impedidos de sair de garagens de Salvador em 25 de outubro de 2026, dia do segundo turno das eleições. A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) informou que a interrupção esteve ligada à colocação de adesivos nos veículos.
Uma das garagens afetadas foi a G5, no bairro Caminho de Areia. Segundo a Semob, sindicalistas colocaram adesivos com o número 13, associado ao candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Passageiros relataram falta de ônibus nas ruas, em estações e na internet, mas não foi informado quantas pessoas foram prejudicadas. A Defensoria Pública da Bahia (DPE) também recebeu relatos de baixa oferta de veículos em Salvador.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a retomada integral da frota, enquanto o prefeito Bruno Reis afirmou que a retirada dos adesivos foi condição para a saída de ônibus de um dos consórcios. A apuração também reúne manifestações de órgãos de fiscalização e informações sobre as providências adotadas.
Retenção de ônibus e reclamações de passageiros em Salvador
Em parceria com a Defensoria Pública da União (DPU), a Defensoria Pública da Bahia (DPE) informou que acompanhava a oferta de transporte gratuito para os eleitores. A instituição comunicou que solicitava esclarecimentos e providências à Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).
A DPE e a DPU também monitoravam relatos semelhantes em Feira de Santana e Santo Antônio de Jesus. As informações recebidas pelas defensorias incluíam reclamações sobre a circulação de ônibus nesses municípios baianos.
O Procon-BA informou ter recebido denúncia sobre o bloqueio da saída de coletivos e enviou equipes para fiscalizar garagens. Na garagem da OT Trans, os fiscais encontraram 55 veículos parados no pátio, embora estivessem aptos a operar.
Segundo o órgão de defesa do consumidor, manter os veículos sem circulação descumpria a legislação eleitoral, que prevê o uso de toda a frota durante o período de votação. A empresa foi autuada, e o Procon-BA informou que adotaria medidas administrativas e continuaria as fiscalizações em outras garagens da capital.
TRE-BA determina retomada da frota em meio a disputa por adesivos
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora se a ordem fosse descumprida pelo Município de Salvador, pela Semob ou pelas empresas concessionárias. A determinação abrangia a retomada da frota integral do transporte público.
Em comunicado, a Semob orientou que todos os coletivos fossem liberados, mesmo os que estivessem com adesivos considerados propaganda irregular pela secretaria. A pasta afirmou que a prioridade era manter a circulação e o deslocamento dos eleitores até os locais de votação, além de preservar o patrimônio público.
O prefeito Bruno Reis afirmou que os ônibus do consórcio Ótima começaram a circular no horário, enquanto houve dificuldades na operação do consórcio Plataforma. Segundo ele, sindicalistas queriam que os veículos saíssem com adesivos do número 13, e a retirada desse material precedeu a liberação dos coletivos; o prefeito classificou o episódio como crime eleitoral.
O TRE-BA também determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A Prefeitura informou que ele estava em missão oficial em Paris, a convite do governo francês, e que retornaria a Salvador em 26 de outubro de 2026 para se apresentar às autoridades.


